| 16 Março 2010
O médico, Dr. Roberto Pelegrino, no blog Recanto das Letras, relata que “atendeu uma senhora de, aproximadamente, cinqüenta anos que se mostrava muito ansiosa e com um número enorme de queixas. Falava sem parar e não dava oportunidade para que ele seguisse o curso normal da entrevista. Vendo que aquele desfile de queixas vagas não chegaria a lugar algum, perguntou ele:
- Hoje, qual é a sua queixa principal, o que mais lhe preocupa?
Ela, um tanto quanto sem jeito, respondeu:
- Sabe doutor, eu não queria ficar velha. Tenho um horror, um medo enorme da velhice. Quero do senhor uma ajuda para eu não envelheça.
- Conheço uma forma infalível para não envelhecer. – Ela arregalou os olhos e perguntou:
- Qual?
- Morrer precocemente. Morrer enquanto os raios da juventude, ainda, irradiar alguma chama.
- Como o senhor é pessimista! – comentou atonitamente.
- Para ser sincero com a senhora, foi à resposta mais plausível ao seu problema.
Ela agradeceu ao médico, um tanto quanto desapontada, deu um forte abraço e falou que, no retorno, continuaria o papo.”
A sociedade brasileira enfrenta um contra-senso: ao mesmo tempo em que envelhece rapidamente, devendo saltar de 18 milhões de idosos atualmente para 36 milhões em 2.025(IBGE), ela cultiva uma disseminada gerontofobia – medo de ficar velho - que alimenta a desvalorização, a segregação e a violência contra os idosos.
Sendo um medo que as pessoas têm de ficar velhas resultando de uma série de preconceitos históricos contra os idosos, envolvendo beleza, piadas, sexualidade e comportamento. Não há lugar para o "velho" numa sociedade que idolatra a juventude, a pele lisa e outros ícones de beleza. Este é um flagelo social muito comum no nosso tempo, onde são relegados para as antigas casas, e muitas vezes são abandonados à sua sorte, que está associado à juventude com saúde e beleza, e em contraste com a velhice doença e decadência.
Temos uma cultura que exalta o belo, as formas, o viço, concentrando a atenção no externo na aparência, dando pouco valor ao ser humano em sua formação interior, sendo cruel e punitiva. Sendo que os valores estabelecidos são que ser jovem é aproveitar tudo da vida, pois na velhice nada mais poderá ser sonhado, realizado, vivido.
Envelhecer com dignidade é um direito humano fundamental, segundo a Carta das Nações Unidas.
Faz se necessário que os órgãos de comunicação, as igrejas e a sociedade lancem campanhas em favor do idoso, para chamar atenção aos inúmeros desafios que um envelhecimento rápido da população representa para a sociedade brasileira em novos aprendizados.
É preciso resgatar o equilíbrio na convivência entre gerações. Ser idoso não é quer ser jovem, não faz sentido, mas é ser respeitado e amado.
Gerontofobia o partido das idéias antigas, como a que são improdutivos, dependentes e um fardo para a sociedade, ou a associação da velhice com a corrupção do corpo e da doença. De fato, o corpo humano começa a idade ou a idade adulta começou bem, só que as mudanças são feitas visíveis algumas décadas mais tarde.
Como as pessoas têm medo da própria vida, medo de viver plenamente, e a perda da juventude mais parece uma sentença de final. Mal sabem as pessoas que a juventude não acaba; ela diminui com o passar dos anos, torna-se mais leve e fácil de carregar. A juventude renasce quando amamos, quando criamos coisas novas e, principalmente, quando redescobrimos a vida. Perder precocemente a juventude é perder a capacidade de sonhar, e perder a capacidade de sonhar é carregar por muito tempo um peso além de nossas capacidades.
A história de Deus com seu povo foi inaugurada com um casal de idosos, sem descendência. Sara era estéril; Abraão, bem idoso. Nada podiam esperar do futuro. Caminhavam para a morte, mas foram agraciados com uma promessa de vida.
“Sara concebeu e deu a luz um filho na sua velhice”. A Escritura Sagrada nos convida a refletir sobre a velhice como bênção de Deus, não apenas um prolongamento de dias.
Devemos apreciar os idosos pela sua experiência. A Bíblia diz em Provérbios 20:29 “A glória dos jovens é a sua força; e a beleza dos velhos são as cãs.”
Os idosos carregam consigo a experiência de vida, a sabedoria acumulada, a memória de fatos maravilhosos que Deus operou na vida de seu povo. "Nossos pais nos contaram, ó Deus, a obra que realizaste em seus dias, nos dias de outrora, com a tua mão", ora o Salmo 44. Em Israel, os idosos eram os mantenedores da fé do povo. Eles eram considerados os transmissores da Aliança. A eles se devia respeitar.
Todas as pessoas idosas precisam descobrir que o espírito da juventude pode ser mantido por meio de planos e de esperanças e que a velhice pode ser considerada uma fase feliz da existência humana, um momento de transição de experiência e sabedoria, que pode ocorrer com toda dignidade.
Mostra-nos que não é um tempo de ficar aguardando a morte chegar, mas pode ser palco de novas conquistas e superação de dificuldades. Louve a Deus pelos anos de vida que Ele tem te concedido. Viva-os como bênção em sua vida.
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