| 29 Abril 2010
Tudo começou há três anos, quando um grupo de senhoras procurou uma atividade física para manter a forma. Ficou sério e agora são dois treinos e um jogo por semana.
Faltam exatamente
50 dias para a Copa do Mundo na África do Sul. E, no país anfitrião, jogar futebol é uma paixão até para quem já é vovó. Foi o que descobriram os correspondentes Renato Ribeiro e Edu Bernardes.
O que se espera de uma avó? Vovós boleiras! No rosto, as rugas de quem tem histórias para contar e o sorriso de quem tem novas histórias pela frente.
Na periferia de Polokwane, uma das sedes da Copa, encontramos um time feminino de futebol. Mas não é um time qualquer: todas com lenço verde na cabeça. Elas são as vakhegula-vakhegula, em português, vovozinhas-vovozinhas.
Tudo começou há três anos, quando um grupo de senhoras procurou uma atividade física para manter a forma. Ficou sério e agora são dois treinos por semana e um jogo por semana, e elas descobriram que futebol faz sim bem à saúde, à cabeça e pode mudar a vida na terceira idade.
"Eu fiquei viúva, sozinha, deprimida, com pressão alta. Depois do futebol, a pressão voltou ao normal e eu mudei completamente. Sou alegre", explica Cristina Masheti, de 62 anos.
Nos jogos, o grupo, que tem 37 jogadoras, é dividido em dois times. Tudo é como se fosse em câmera lenta. Afinal, não são meninas, mas algumas têm um fôlego!
Os técnicos são jovens. Poderiam ser filhos ou netos das jogadoras. "Eu falo com elas como falo com as minhas avós", brinca o treinador.
São dois tempos de 15 minutos, com 15 minutos de intervalo pra dar aquela alongada, um descanso.
A jogadora mais velha é poupada e só entra no segundo tempo. Nora Macobela tem 84 anos. Fica só no meio-campo e não corre muito, mas já é incrível para a idade que tem. "Eu aconselho todas as senhoras que estão me vendo a começarem a jogar. É muito bom", disse Nora.
No oportunismo, gol das meninas de vermelho e, numa arrancada incrível, o gol das meninas de branco: 1 a 1. Decisão nos pênaltis e, a cada cobrança, sorrisos e categoria.
No fim, vitória do time de vermelho, com uma defesa espetacular. Mas para elas, pouco importa. Terminam sempre se abraçando, comemorando mais um dia de jogo.
"No início, os vizinhos e amigos nem falavam comigo, com vergonha. Agora, todos têm orgulho de mim e gritam meu apelido: Lionel Messi, Lionel Messi", completa Beatrice Thsabalala, a caçula da turma, com 47 anos.
No país da Copa, aquela expressão famosa: ‘essa até minha avó faria’ não tem lá muito sentindo. O que se espera de uma avó? Por aqui, habilidade, ritmo e uma incansável animação.
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