"Antes do terremoto, eu só tinha mamãe", diz orfã no Haiti
Não muito tempo depois que Daphne Joseph, 14 anos, escapou das ruínas de sua casa desabada no dia do terremoto, ela embarcou em um ônibus lotado, em companhia do tio, e enfrentou o tráfego congestionado e lento na estrada para Porto Príncipe, a capital do Haiti, onde sua mãe solteira vendia produtos de beleza no mercado Tete Boeuf. "Mamãe", ela diz que repetia ao longo do caminho. "Mamãe, estou chegando para te ajudar".
Porque o ônibus era lento demais para sua urgência, a pequena e delicada Daphne se separou do tio e saltou para uma motocicleta que estava funcionando como táxi. Chegou sozinha às ruínas do mercado, e correu com suas sandálias púrpuras empoeiradas na direção de uma pilha de destroços ao lado das qual havia "pessoas quebradas", segundo ela.
Ao se aproximar, avistou o corpo imóvel da mãe; Daphne conta que não conseguiu mais se mover, e por fim viu o cadáver da mãe ser carregado do local em um carrinho de mão: sua família, desaparecida em meio ao caos. "Quis me matar", disse Daphne em um sussurro.
DEBORAH SONTAG - New York Times, em Croix des Bouquets, Haiti
MÃES & PAIS MAUS
Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes: “Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão”.
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silencio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente par os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: -Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar
Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas ,enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações,mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso ( e em momentos até odiaram ).
Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci. Porque no final, vocês venceram também ! e em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e mães, quando lês lhe perguntarem se sua mãe era má,meus filhos vão dizer: Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo....
As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz,feijão, carne, legumes e frutas. E eles nos obrigavam a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão.
Eles insistiam em saber onde estávamos a toda hora ( tocava nosso celular de madrugada e fuçava nos nossos e-mails). Era quase uma prisão. Mamãe e Papai tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.
Nós tínhamos vergonha de admitir,mas eles violavam as leis dos trabalho infantil. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossa bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis. Eu acho que eles nem dormiam à noite , pensando em coisas para nos mandar fazer.
Eles insistiam sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, eles conseguiam até ler nossos pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata. Eles não deixavam os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos , tinham que subir, bater à porta,para ela os conhecer. Enquanto todos podiam voltar tarde à noite , com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa ( só para ver como estávamos ao voltar).
Por causa de nossos pais, nós perdemos imensas experiências na adolescência: Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.
Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos pais maus, como meus pais foram.
“Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: Não há suficiente Mães e Pais maus”.
Dr. Carlos Hecktheeuer- Médico psiquiatra
Infelizmente Daphne não terá mais a oportunidade de ter uma mãe má para agir com ela conforme o artigo do Dr. Carlos Hecktheeuer, se não neste modelo, mas através de outros valores que demonstram o amor e os cuidados que todas as mães tem com seus filhos, pois o pouco de que tinha lhe fora tirado, a expressão “mamãe ,estou chegando para te ajudar” não encontra mais sentido. Mas nós filhos podemos expressar neste DIA DAS MÃES nossa gratidão a “mãe má” que nos fez cidadãos melhores . Não importa quão má seja as nossas mães, honrar pai e mãe não é opção; é mandamento :
"Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. Ef.6:1-4
Gilberto Dalmaso

